Palestras

 

CRONOGRAMA SCIFARMA3
*programação pode sofrer alterações até a data do evento.

RESUMO DAS PALESTRAS

Palestra de Abertura – Ciências Farmacêuticas no Século XXI: Principais Desafios
Profa. Dra. Elizabeth Igne Ferreira

   A multidisciplinaridade caracteriza a área de Ciências Farmacêuticas e ressalta a sua importância no contexto da Saúde. As mudanças experimentadas ao longo do tempo culminaram com desafios no século XXI, que devem ser enfrentados pelos farmacêuticos, nas diferentes áreas abrangidas pela profissão. As novas diretrizes curriculares para a Farmácia, que aguardam homologação pelo Ministério da Educação, exigem um novo olhar para a área e consolidam a sua importância com foco na Saúde e na Tecnologia necessária ao seu desenvolvimento. Aspectos relacionados a essas questões, salientando-se a multidisciplinaridade e os novos focos da área serão apresentados brevemente na palestra.

P1 – Pesquisa Clínica: Pesperctivas no Brasil
Ms Simone Zatta

   O Panorama da Pesquisa Clinica no Brasil tem se modificado nos últimos anos, estamos percebendo mesmo que gradualmente a necessidade da profissionalização, não existe mais lugar para o amadorismo. O regulatório ainda necessita de um olhar mais exigente por parte das instituições com time lines reduzidos sem perder a qualidade. Ainda nos faltam profissionais especializados nas áreas da saúde para a condução dos estudos e por parte do patrocinador não é diferente, visto os vendors e as exigencias de uma equipe prática, organizada e dedicada. A população ainda tem medo de se envolver em pesquisa pela falta de publicidade, orientação e divulgação dos estudos.

SESSÃO TEMÁTICA I: CÂNCER – DESAFIOS E PERSPECTIVAS

L3 – Plantas tóxicas e medicinais: xenobióticos e câncer
Profa. Dra. Isis Machado Hueza

   O uso de plantas com atividades farmacológicas acompanha a própria evolução do ser humano que as vem utilizando com efeito curativo, como o ópio pelos egípcios e sumérios para mitigar a dor, e também nocivo, como a cicuta empregada pelos gregos para punir inimigos do Estado, ou flechas embebidas com o curare pelos índios sul-americanos para paralisar a caça ou mesmo inimigos. Das tradições do uso de plantas medicinais vieram à luz do conhecimento vários princípios ativos com potencial anticancerígeno, tanto em suas atividades preventivas como antioxidantes, quanto inclusive curativas ao impedirem a atividade proliferativa das células tumorais. No entanto, muitas destas plantas com possível uso farmacológico também possuem efeitos tóxicos importantes, podendo inclusive causar o desenvolvimento de cânceres devido sua ação direta sobre o DNA, ou mesmo de forma indireta, por meio de efeito imunossupressor e o desenvolvimento da neoplasia.

L4 – Dermocosméticos, câncer e autoestima
Profa. Dra. Vânia R. Leite e Silva

   Martin Seligman, em seu livro Felicidade Autêntica em 2002, mostra estudos sobre o efeito positivo de níveis elevados de bem-estar subjetivo em pacientes com câncer. Suas comprovações científicas demonstram maior longevidade e melhor nível de recuperação daqueles com elevados níveis de satisfação com a vida e autoestima. De outro lado, é notório que a autoimagem feminina é aprimorada através da maquiagem e possui efeitos significativos na forma como as mulheres constroem sua autoestima. O propósito deste trabalho foi ligar estes dois pontos e buscar comprovar que a experiência com a maquiagem pode aprimorar a autoimagem e, por consequência, o bem-estar subjetivo e, potencialmente, obter resultados no processo de convalescência das pacientes.

SESSÃO TEMÁTICA II: DOENÇAS CRÔNICAS E ENVELHECIMENTO

L3 – Hipertensão e envelhecimento
Profa. Dra. Liliam Fernandes

   A hipertensão primária ou essencial é uma doença crônica multifatorial, muitas vezes assintomática e com alta prevalência. Representa um dos maiores problemas de saúde pública em todo o mundo. Particularmente em idosos, a hipertensão é fator de risco importante e requer controle ótimo e persistente para a redução de complicações cardiovasculares. O aumento de resistência periférica é o padrão característico da hipertensão essencial, e está diretamente associado à disfunção endotelial. Há redução na biodisponibilidade de óxido nítrico e de prostanóides vasodilatadores com paralelo aumento na produção/atividade de ânion superóxido e endotelina-1. Essas alterações endoteliais são consistentemente manifestadas no envelhecimento, e serão pontualmente apresentadas e discutidas durante o Simpósio.

L4 – Fitoterápicos Anti-inflamatórios
Prof. Dr. Luiz Elídio Gregório

   Segundo estimativa da OMS, 65-80% da população dos países em desenvolvimento dependem de plantas medicinais para a prevenção e tratamento de várias doenças. Neste contexto, as plantas constituem o principal meio para obtenção de novos fármacos e medicamentos, sendo historicamente utilizadas para o tratamento de diversos problemas de saúde, alguns destes associados a processos inflamatórios agudos e crônicos. Discutiremos as principais espécies vegetais empregadas no desenvolvimento de fitoterápicos anti-inflamatórios, enfatizando as principais classes de metabólitos especiais envolvidas nesta ação, desde os “remédios” da antiguidade até os medicamentos fitoterápicos e produtos tradicionais fitoterápicos da atualidade.

P3 – Farmacometria (estudos farmacocinéticos)
Dr. Amílcar Celta Falcão
Professor Catedrático de Farmacologia
Universidade de Coimbra, Portugal
CANCELADA

   Infelizmente, por problemas pessoais, o Prof. Dr. Amílcar Celta Falcão não poderá comparecer ao evento.

   O horário em que ocorreria sua palestra, será disponibilizado para apresentação oral dos trabalhos selecionados que foram enviados ao Simpósio!

SESSÃO TEMÁTICA III: DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS

L1 – A Doença de Chagas
Profa. Dra. Ana Claudia Torrecilhas

   Trypanosoma cruzi, o agente etiológico da doença de Chagas, libera vesículas extracelulares expressando moléculas de superfície como os glicoconjugados GPI-ancorados. As vesículas extracelulares (EVs) das formas tripomastigotas contém Trans-sialidase (TS)/gp85, mucinas e α-galactosil (αGal). Nossos resultados mostram que os EVs atuam como mensageiros ou fatores de virulência, ativando a imunidade inata do hospedeiro. Nossos resultados sugerem que EVs de T. cruzi estão envolvidas na interação hospedeiro-parasita, atuam na invasão do protozoário e evasão do sistema imune do hospedeiro.

L2 – Novos Alvos Terapêuticos em Fungos
Prof. Dr. Marcio Lourenço Rodrigues

   É estimado que 3.8 milhões de indivíduos no Brasil possam sofrer de alguma infecção fúngica com gravidade elevada. Cryptococcus neoformans é o fungo de maior mortalidade para humanos. No Brasil, o C. neoformans é o principal causador de morte em pacientes imunodeprimidos acometidos por micoses sistêmicas. No globo, o C. neoformans mata mais de 200 mil humanos por ano. O padrão internacional de tratamento antifúngico da meningoencefalite é a combinação do poliênico anfotericina B com 5-flucitosina (5-FC). A anfotericina B apresenta uma significativa nefrotoxicidade e requer administração intravenosa. A 5-FC apresenta toxicidade hematológica. Sendo assim, é clara a necessidade de desenvolvimento de antifúngicos contra a criptococose. Nesse cenário, nossa proposta é apresentar compostos com atividade anti-Cryptococcus promissora, discutindo novos alvos celulares, mecanismos de ação e potencial para tratamento da criptococose.

L3 – Imunologia e Parasitas: Vesículas extracelulares liberadas por Leishmania: novos mediadores na interação parasita-hospedeiro (provisório)
Profa. Dra. Patrícia Xander Batista

   Leishmanioses são um grupo de doenças de amplo espectro clínico causadas por parasitas de várias espécies pertencentes ao gênero Leishmania. A complexa interação entre os parasitas e os hospedeiros mamíferos ainda não está completamente compreendida mas sabe-se que diversas moléculas expressas na superfície do patógeno assim como fatores liberados no meio extracelular participam da adesão, invasão, fagocitose e da virulência da Leishmania. Mais recentemente tem sido demonstrado que vesículas extracelulares (EVs) liberadas por algumas espécies de Leishmania, as quais carreiam fatores de virulência, participam do estabelecimento da infecção e interferem com a resposta imune do hospedeiro. EVs já foram melhor caracterizadas em diversos patógenos e sua influência na patogênese de doenças infecciosas tem sido relacionada a sua composição proteica, lipídica e de ácidos nucleicos, como miRNAs. Nosso grupo demonstrou que promastigotas de L. (L.) amazonensis (uma das espécies responsáveis pela leishmaniose cutânea no Brasil) liberam EVs as quais modulam a resposta de macrófagos e células B-1 (um subtipo de linfócitos B). Além disso, células B-1 infectadas pelo parasita liberam EVs que atuam na ativação de macrófagos. Estudar essas interações é passo importante para o melhor entendimento da relação parasita-hospedeiro e da modulação/ativação do sistema imunológico na infecção por L. amazonensis. Além disso, os resultados obtidos poderão auxiliar na identificação de novos alvos moleculares, contribuir para o desenvolvimento de estratégias vacinais e terapêuticas alternativas.

L4 – Pró-Fármacos e Doenças Negligenciadas
Prof. Dr. Renato Farina Menegon

   A estratégia de pró-fármacos para o tratamento de doenças negligenciada Prodrug design é frequentemente empregado pelas indústrias farmacêuticas como uma etapa normal do desenvolvimento de novas moléculas bioativas, de forma a conferir maior biodisponibilidade a estas. Adicionalmente, a latenciação de fármacos abre a possibilidade de desenvolvimento de sistemas de ativação do composto matriz em compartimentos específicos do corpo humano, conferindo-lhe maior seletividade ao tecido alvo e, consequentemente, menor toxicidade sistêmica. Abordaremos nesta apresentação como seu emprego em doenças parasitárias negligenciadas pode ser explorado, possibilitando a reutilização de potentes agentes quimioterápicos outrora descartados da terapêutica em função de sua elevada toxicidade, permitindo sua reintrodução à terapêutica mais rapidamente que o desenvolvimento completo de novos agentes antiparasitários.

L6 – Antimicrobianos como poluentes ambientais de interesse emergente
Prof. Dr. Fábio Kummrow

   Os antimicrobianos estão entre os fármacos de ocorrência ambiental mais investigados e que causam maiores preocupações, tanto do ponto de vista dos seus impactos a biota quanto a saúde humana. Essa preocupação se justifica, pois, antimicrobianos, mesmo em baixas concentrações podem causar alterações irreversíveis no genoma de microrganismos, podendo induzir a seleção de linhagens resistentes, aumentando a sua patogenicidade. Além disso essa classe de fármacos é especialmente prejudicial a organismos aquáticos como algas, cladoceros e artêmias. Contudo estudos sobre a toxicidade de antimicrobianos de ocorrência ambiental para organismos não-alvo ainda são escassos, principalmente os que avaliam toxicidade crônica e a toxicidade das suas misturas, permanecendo assim o desafio de entender seus reais riscos ambientais.

P4 – Emergência de microrganismos multirresistentes e busca por novos antimicrobianos
Profa. Dra. Ilana L. B. C. Camargo
IFSC-USP

   Infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) aumentam a morbidade e mortalidade em pacientes hospitalizados. Em geral, IRAS são causadas por microrganismos multirresistentes ou extensivamente resistentes, aos quais poucos antimicrobianos ainda são eficazes, ou até mesmo pelos microrganismos pan resistentes, aos quais não nos restam alternativas para o tratamento. O que os fazem tão resistentes? Como se espalham tão rapidamente? Como contê-los? Finalmente, a pergunta que todos fazem: teremos mais antimicrobianos no mercado ou voltaremos a Era Pré Antibiótica, quando as infecções matavam muito mais do que qualquer outra doença? Todos estes tópicos serão abordados no I Simpósio de Ciências Farmacêuticas da UNIFESP Diadema. Participe!

P7 – IKV-Induced Microcephaly in Experimental Models
(Microcefalia e modelos experimentais)
Jean Pierre Schatzmann Peron, PhD
Neuroimmune Interactions Laboratory
Department of Immunology – University of Sao Paulo

   Brazil has recently gone through an unprecedented public health crisis due to the Zika virus epidemics. As many other flaviviruses it has never been correlated with human morbidity or mortality. Unfortunately it has changed dramatically as the virus is now responsible for more than 2300 babies born with microcephaly. The so-called Zika Congenital Syndrome has, besides microcephaly, many other relevant features, as retinal damage, intra-uterine growth restriction and arthrogryposis. In fact, babies born without microcephaly but with significant neuronal and retinal lesions were already reported. In this context, the development of an experimental model is of great relevance for the studies on the pathogenesis of microcephaly. We demonstrated that the infection of pregnant SJL mice with ZIKV results in severe damage of the pups. Most prominently was the significant reduction in size and weight, associated high viral titers in the brains. This was accompanied by high level of apoptotic death, probably of neuronal precursor cells (NPCs). To achieve that we infected NPCs and human brain organoids with ZIKV. Further, we observed a significant reduction on the number of NPCs, corroborating the apoptotic cell death hypothesis. Recently we are focused on several aspects of the brain inflammation during microcephaly. Interestingly, many pro-inflammatory cytokines are down-regulated, as well viral receptors and signaling transduction molecules. Interestingly, this is consistent with clinical findings, showing no sign of inflammation, at least through liquor protein and cellular analysis. This may indicate that the virus controls inflammation in situ. The elucidation of such mechanism would greatly contribute for the understanding of the viral biology in the central nervous system and also for the pathogenesis of microcephaly.